O que foi o movimento pelos direitos civis

Movimento dos Direitos Civis refere-se ao movimento do povo negro nos Estados Unidos em busca de direitos políticos, sociais e civis.

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Movimento dos Direitos Civis é o nome que foi dado ao movimento de luta dos negros dos Estados Unidos por direitos civis, políticos e sociais.

Movimento dos Direitos Civis é o nome que foi dado ao movimento de luta dos negros dos Estados Unidos por direitos civis, políticos e sociais. As constantes marchas, manifestações e demais atos contra a segregação racial relacionadas a esse movimento compreendem o período da década de 1950 a 1960.

Entende-se por Direitos Civis todos os direitos dos cidadãos de um país. No entanto, nos Estados Unidos durante a escravidão e por quase um século após seu término, foram negados aos negros praticamente todos os seus direitos. Isso perpetuou na sociedade estadunidense um sentimento de segregação racial muito forte.

Movimento dos Direitos Civis: origem

Antes da guerra civil ocorrida entre o norte e o sul dos Estados Unidos, conhecida como Guerra da Secessão, quase toda pessoa negra no país era escrava. Entre o ano de 1865, fim da Guerra, e 1870, foram criadas as emendas de número 13, 14 e 15 da Constituição. Elas, teoricamente, acabaram com a escravidão e garantiram aos negros de todo o país cidadania e direito a votos.

Na prática, todos esses direitos garantidos por lei foram ignorados, em especial no sul dos Estados Unidos. Algumas atitudes foram adotadas para que os negros não pudessem votar, tais como cobranças de taxas ou realização de testes escritos impossíveis de serem finalizados. Nessa época surgiu a Ku Klux Klan, um grupo que pregava a supremacia branca em relação aos negros.

Leis foram criadas por governos do sul do país para que brancos e negros ficassem separados. Episódios conhecidos como a criação de bebedouros para brancos e outros para pessoas de cor, autocarros com divisórias entre negros e brancos, além de crianças negras não poderem estudar nas mesmas escolas que crianças brancas eram muito comuns durante o período da segregação racial.

Além dessas questões, a 13ª Emenda à Constituição também se mostrou uma arma contra os negros. Os supremacistas brancos encontraram uma brecha nessa emenda, que, resumidamente, decretava que nenhuma pessoa poderia ser privada de liberdade, exceto se cometesse um crime. Dessa forma, muitos negros foram presos por crimes que não cometeram ou por alegações como vadiagem, procrastinação, etc.

O que foi o movimento pelos direitos civis

Resistência e luta

Desde o início da segregação racial houve líderes dentro do povo negro que buscou resistir e lutar por seus direitos. Somente no século XX que o movimento dos Direitos Civis começou a se organizar. Em 1909, foi fundada a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP, sigla em ingês). Esse grupo foi e ainda é um dos mais atuantes na busca dos Direitos Civis de pessoas negras no mundo todo.

Em 1955, o episódio Rosa Parks deu início ao período de maior movimento político e social contra a segregação racial nos Estados Unidos. Rosa era uma costureira negra, que se recusou a ceder seu lugar em um autocarro para uma mulher branca. Ela foi presa, julgada e condenada por esse ato de rebeldia, uma vez que seu lugar seria no fundo do autocarro, não na frente, junto às pessoas brancas.

A prisão de Rosa Parks gerou um movimento muito forte de boicote à empresa de ônibus, que durou mais de um ano, e quase a levou a falência. Liderado por Martin Luther King, um pastor da igreja batista e ativista da causa negra, o boicote atraiu os olhares da justiça dos Estados Unidos. A Suprema Corte Americana decidiu proibir qualquer ato de preconceito dentro dos transportes públicos no país.

Em 1963, houve a Marcha Sobre Washington, em que Martin Luther King proferiu seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”. Outros ativistas negros se juntaram a King durante o movimento dos Direitos Civis. O partido político dos Panteras Negras, Angela Davis, Malcolm X são alguns nomes que, de diversas formas, lutou pela cidadania do povo negro.

Em 1960 o então presidente Lyndon B. Johnson promulgou a Lei de Direitos Civis. Cinco anos depois, em 1965, o mesmo presidente promulgou a Lei dos Direitos ao Voto. Após anos de luta, os negros obtiveram um mínimo de direitos nos Estados Unidos, o que lhes devolvia dignidade e cidadania.

O que foi o movimento pelos direitos civis

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http://anphlac.fflch.usp.br/direitos-civis-eua-apresentacao

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-08-28/saiba-os-principais-fatos-na-luta-pelos-direitos-civis-nos-eua.html

  • O que são direitos civis?

Os direitos civis compreendem todas as garantias fundamentais que um Estado Democrático oferece aos seus cidadãos. Entre esses direitos, estão o acesso à saúde, à educação e ao transporte público de qualidade, a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão, entre outros. Para compreendermos a razão de algo como a “luta por direitos civis dos negros nos Estados Unidos”, é necessário que saibamos que esses direitos não eram plenamente garantidos à maior parte da população negra desse país.

  • Por que a luta por direitos civis dos negros nos Estados Unidos?

É sabido que o Sul dos Estados Unidos foi marcado por um modelo econômico agrário pautado na grande propriedade de terra, conhecida como plantation, que geralmente produzia uma só cultura, em especial o algodão. Nas lavouras de algodão era empregada a mão de obra escrava negra africana. Esse modelo perdurou até 1865, quando teve fim a Guerra Civil Americana, que opôs o modelo sulista ao modelo industrial, da pequena propriedade e do trabalho livre e assalariado que vigorava no Norte. Como o Norte ganhou a guerra, a escravidão teve fim.

Porém, o fim da escravidão não significou o fim da mentalidade dos brancos sulistas avessa aos negros, isto é, que os considerava inferiores como raça e indignos dos mesmos direitos que os brancos. Como os estados dos Estados Unidos sempre tiveram uma autonomia legislativa significativa, os estados sulistas ex-escravistas, a partir da década de 1870, passaram a institucionalizar leis de segregação racial (para saber mais sobre isso, clique aqui).

Durante décadas, em estados como Mississippi, Alabama, Tennessee e Georgia, essas leis segregacionistas existiram, separando negros de brancos em locais públicos, proibindo o casamento entre membros de grupos de “cor” (como era a expressão racista para designar os negros) e brancos, limitando o acesso dos negros a benefícios básicos etc. Além disso, ainda havia a atuação de grupos violentos, como a Ku Klux Klan, que promoviam atentados contra a população negra e, não raro, eram absolvidos pelos tribunais estaduais do Sul.

Diante dessa situação, algumas lideranças da comunidade negra dos estados do Sul começaram a formar organizações destinadas à luta contra o racismo e o segregacionismo. O auge dessas lutas ocorreu dos anos 1950 aos anos 1970.

Entre as organizações dedicadas à luta pelos direitos civis dos negros nos EUA estava a Conferência da Liberdade Cristã do Sul (SCLC – Southern Christian Leadership Conference), formada em 1957, em Montgomery, capital do estado do Alabama, por Martin Luther King Jr., um pastor protestante da Igreja Batista que se tornou o grande símbolo do protesto pacífico contra o racismo e o segregacionismo. King ficou famoso por seu discurso “Eu tenho um sonho...”, proferido em Washington, em agosto de 1963, para um público de cerca de 250.000 pessoas.

Além da organização de King, outras se tornaram bastante conhecidas nos anos 1960 e 1970, como a de Malcom-X, que era ligado à comunidade islâmica nos EUA, mas que defendia também a criação de um Estado Negro separado dos Estados Unidos. Outro exemplo é o movimento Black Power, termo que deriva de um livro do escritor negro Richard Wright, mas cujas raízes remontam ao início do século XX. O Partido dos Panteras Negras também se tornou notório. Ele nasceu como organização de resistência contra a violência policial da Califórnia, mas acabou se radicalizando e adotando elementos de guerrilha urbana e ideologia comunista.

NOTAS

[1] KARNAL, Leandro [et al.]. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo: Contexto, 2007. p. 245.

* Créditos da imagem: Shutterstock e Everett Historical


Por Me. Cláudio Fernandes