Por que existe horário de verão

Um dos primeiros registros que levam à criação do Horário de Verão é de 1784, quando Benjamin Franklin, nos Estados Unidos, notou que em certos meses do ano o sol nascia antes da média de horário em que as pessoas acordavam. Com isso, ele espalhou — sem sucesso — a ideia de que todos poderiam acordar mais cedo para desfrutar da luz do dia por um período maior.

Depois disso, o método foi adotado em vários países do mundo durante momentos específicos - como pelos países europeus ao longo da Primeira Guerra Mundial.
Aqui no Brasil, o horário de verão foi adotado pela primeira vez, em 1931, pelo então presidente Getúlio Vargas por meio de decreto em todo o território nacional. No entanto, não foi constante, e acabou sendo revogada e adotada novamente em anos seguintes. A mudança do horário, em uma hora, passou a ser ininterrupta a partir de 1985. Mas foi só em 2008 que foi regulamentada por decreto-lei, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por levar a população a voltar uma hora no relógio para alinhar o início do dia com o período solar, o horário de verão é um recurso que ajudava na redução do consumo de energia, especialmente por volta das 18h até 21h, quando costuma ocorrer um pico de consumo. Porém, desde o início de 2019, o presidente Jair Bolsonaro, junto ao Ministério de Minas e Energia, revogou o Horário Brasileiro de Verão.

A decisão de manter o recurso inativo pelo segundo ano consecutivo se deu após estudos realizados pelo Ministério que demonstraram a baixa efetividade dessa ação. A nota técnica divulgada aponta que a economia de energia obtida com a mudança no horário vem diminuindo ao longo dos anos e que atualmente já estaria próximo da neutralidade, portanto, sem surtir nenhum efeito significativo na redução do gasto de energia. Esse resultado estaria ligado a uma possível mudança de hábito de consumo de energia da população.

Ainda de acordo com o Ministério de Minas e Energia, atualmente o horário de pico no consumo de energia é na parte da tarde, quando há um aumento no uso de aparelhos de ar condicionado. Por outro lado, os efeitos do Horário de Verão eram bastante positivos para algumas pessoas e, inclusive, a economia vista na conta de energia elétrica fazia a diferença no final do mês. Isso sem falar na melhora da sensação de disposição e de segurança para quem sai para trabalhar cedo e retorna tarde da noite para casa — a luz do dia faz bastante diferença nesses aspectos.

Para você, o Horário de Verão foi embora tarde ou deixou saudades? Pensando nisso, Ecoa falou com especialistas e pessoas afetadas pela mudança para levantar prós e contras da alteração de relógios a favor da economia de energia.


Sim

Mais disposição para aproveitar o dia

Durante o Horário de Verão, muitas pessoas saem do trabalho ainda em plena luz do dia e essa sensação gera mais disposição e bem-estar para aproveitar momentos de lazer antes que anoiteça. Dessa forma, por exemplo, praticar algum tipo de atividade física nesse momento se torna uma tarefa mais fácil e que pode trazer um bom retorno para a saúde. Inclusive, para muitos que saem de casa ainda de madrugada, essa acabava sendo a única chance de curtir um pouco o sol.

Sensação de segurança nas ruas

A segurança também entra em jogo quando o assunto é horário de verão. Existe a percepção de que a luz do dia possa inibir possíveis crimes.

Cada organismo tem uma reação psicológica diferente a essa sensação de medo, mas de forma geral ela pode ocasionar mais ansiedade, fobia social, Transtornos Obsessivos Compulsivos ou até mesmo traumas por episódios de violência. Claro que a luz do dia por si só não elimina o problema, mas pode promover a sensação de bem-estar, que aumenta quando nos sentimos mais confortáveis e seguros.

Impacto na conta de luz

Apesar do Ministério de Minas e Energia alegar que a redução no gasto de energia do país não tenha sido significativa, fontes ouvidas por Ecoa sentiram a diferença em suas contas no final do mês. Com os dias mais longos e maior iluminação natural, gastava-se menos energia elétrica em casa, especialmente nos horários de pico durante o início da noite.

Exposição à luz solar
A luz solar é responsável pela produção de Vitamina D, que em sua ausência ou insuficiência pode causar até depressão. Portanto, ao ficar mais exposto ao sol, especialmente pela manhã e no final da tarde, a saúde tem ganhos.

Não

Dificuldade de adaptação com o novo horário

Uma das principais queixas de quem é contra o horário de verão está justamente na dificuldade em conseguir regular os horários de sono, em especial pessoas com perfil mais vespertino, que têm maior tendência a dormir e acordar tarde. Essa fase de adaptação gera muito cansaço e indisposição, ocasionando baixo rendimento nas atividades diárias. No início do horário de verão, o corpo entende que ainda não amanheceu e não descansou como de costume, o que gera mais cansaço ao final do dia.

Esse problema foi objeto de estudo realizado por pesquisadores brasileiros que analisaram mais de 12 mil pessoas. Publicada na revista Annals of Human Biology, a pesquisa mostra que 54,57% das pessoas sofrem algum tipo de desconforto relacionado ao horário de verão, como mal-estar de forma geral. Dessas, 27,3% sofrem com os efeitos da mudança de horário durante todo período em vigor.

Outro estudo brasileiro também analisou os efeitos da transição para o início e após o fim do horário de verão. Os pesquisadores analisaram cinco voluntários, que tiveram sua temperatura do punho e seu ciclo de sono/repouso medidos durante períodos de 20 dias antes e depois do horário de verão. As análises mostraram que os períodos de transição envolvidos no horário de verão provocam mudanças agudas nos ritmos circadianos de temperatura e atividade de repouso, o que, por sua vez, pode estar associado à diminuição da eficiência do sono.

No entanto, outro estudo feito por brasileiros mostrou que os efeitos do horário de verão não interferiram significativamente no tempo que 378 estudantes analisados passavam dormindo.

Pode gerar alterações no organismo

Quando alteramos uma hora do relógio, afetamos o sono e diversas funções do corpo ficam dessincronizadas. Entre elas o nosso apetite e o funcionamento intestinal, que depende não apenas dos alimentos ingeridos, mas também do horário que foram ingeridos. Fontes ouvidas por Ecoa alertaram que o horário de verão também pode afetar a produção de hormônios, por causa da glândula pineal, que funciona dependendo do ciclo solar.

"A reposta direta seria sim [o horário de verão faz mal ao organismo], tanto de forma aguda, ligado às transições, afetando, por exemplo, os acidentes de trânsito, quanto crônica, pelo distanciamento entre o tempo social e o tempo biológico, o que pode causar uma disrupção no sistema de temporização e, consequentemente, prejuízo nos sistemas associados, como o sistema nervoso.", disse a Ecoa Mário André Leocadio, doutor em Fisiologia Humana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP

Maior sensação de calor em horários de trabalho

Para pessoas que não são grandes fãs do calor, ficar exposto ao sol em certos períodos do dia pode ser bastante desconfortável, principalmente para quem trabalha fora do escritório. Sem o horário de verão, muitos acabam voltando para casa quando o dia está começando a ficar mais fresco e agradável com o cair da noite, o que pode ser mais agradável, especialmente em um país como o Brasil, que tem um verão bastante intenso.

Fontes: José Marcelo Natividade, endocrinologista e metabologista; Debora Petrungaro Migueis, médica, professora de otorrinolaringologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutora em medicina do sono pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio); Tainan S Santos, professora de Educação Infantil, São Paulo (SP); Elton Dias Costa, técnico de manutenção de veículos, São Paulo (SP); Ezaú Eduardo Azevedo Chaves, 32, técnico de blindagem automotiva; Wellington Silva Bilac, soldador, Espírito Santo do Pinhal (SP); Leonardo Feitosa, tradutor e intérprete, São Paulo (SP); Mário André Leocadio, doutor em Fisiologia Humana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Horário de verão: as vantagens e desvantagens da polêmica mudança do relógio

Por que existe horário de verão

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Horário de verão foi extinto pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019

O horário de verão voltou ao debate nesta semana, após o Ministério de Minas e Energia (MME) pedir ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) — órgão responsável pela coordenação e operação do sistema elétrico brasileiro — um novo estudo sobre a medida, diante da "atual conjuntura de escassez hídrica".

A notícia sobre o novo estudo gerou especulações sobre uma possível volta do horário especial. Mas o ministro Bento Albuquerque reafirmou que a avaliação da pasta é de que "não há necessidade do retorno do horário de verão em 2021".

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"A contribuição do horário de verão é limitada, tendo em vista que, nos últimos anos, houve mudanças no hábito de consumo de energia da população, deslocando o maior consumo diário de energia para o período diurno", disse Albuquerque, em nota à Folha de S. Paulo.

"Assim, no momento, o MME não identificou que a aplicação do horário de verão traga benefícios para redução da demanda", completou o ministro.

História do horário de verão

O horário de verão foi instituído pela primeira vez no Brasil em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas. À época, dizia o Diário de Noticias: "a prática dessa medida, já universal, traz grandes benefícios ao público, em consequência da natural economia de luz artificial".

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Horário de verão foi criado em 1931

A medida foi repetida em anos seguintes, sem regularidade. A partir de 1985 - ano que foi marcado por uma seca histórica, que resultou em blecautes e racionamento de água -, o horário diferenciado passou a ser adotado anualmente, com duração e abrangência territorial definidas por decretos presidenciais.

Em 2008, um decreto tornou o horário de verão permanente, vigorando do terceiro domingo de outubro até o terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte. Até que, em abril de 2019, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também por decreto extinguiu a medida.

"O horário de pico hoje é às 15 horas e [o horário de verão] não economizava mais energia. Na saúde, mesmo sendo só uma hora, mexia com o relógio biológico das pessoas", argumentou Bolsonaro, à época.

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Com baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, há o receio de que isso afete a geração de energia

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Este ano, o tema voltou ao debate devido à crise hidroenergética e à pressão de empresários que, afetados pela pandemia, veem na volta do horário especial a oportunidade de vender um pouco mais diante da permanência maior do brasileiro nas ruas com a hora a mais de luz natural. Mas o tema está longe de ser consenso.

Pesquisa feita pelo instituto PoderData, ligado ao portal de notícias Poder360, realizada em julho, mostrou que 50% da população não quer a volta do horário de verão no Brasil, enquanto 46% querem o retorno da medida e 4% dizem que não sabem.

Segundo a mesma pesquisa, a opinião sobre o horário de verão varia de acordo com a preferência política dos entrevistados.

Entre aqueles que avaliavam o presidente Jair Bolsonaro como "ótimo" ou "bom", 69% não queriam a volta do horário de verão, 29% eram favoráveis e 2% não sabiam. Já entre os que avaliavam o presidente como "ruim" ou "péssimo", 57% eram favoráveis à volta do horário de verão, 40% contrários e 3% não sabiam.

Foram 2,5 mil entrevistas, em 427 municípios, nas 27 unidades da Federação, e margem de erro é de 2 pontos percentuais.

Mas quais são as vantagens e as desvantagens da mudança de horário? Listamos alguns dos argumentos citados pelos dois lados desse Brasil dividido.

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VANTAGENS

Economia de energia

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, foi à televisão em 31 de agosto dizer aos brasileiros, em rede nacional, que a seca que o Brasil tem enfrentado é a pior da história e que a condição hidroenergética do país se agravou.

Diante do baixo nível dos reservatórios hidrelétricos, o ministro pediu a colaboração da população para redução do consumo de energia, sugerindo entre as medidas a serem adotadas um maior aproveitamento da luz natural.

O maior aproveitamento da luz natural é justamente o objetivo do horário de verão, extinto por Bolsonaro em 2019.

Com o adiantamento dos relógios em uma hora, as regiões que adotam o horário especial ganham uma hora adicional de luminosidade no fim da tarde, adiando o acionamento de lâmpadas e de eletrodomésticos na volta para casa depois do trabalho. Historicamente, a economia era de cerca de 4% a 5% da demanda no horário de pico.

O governo argumenta, porém, com base em dados do ONS, que o pico de demanda no verão mudou ao longo dos anos do fim da tarde, para o meio dela, devido ao acionamento dos aparelhos de ar condicionado nas empresas.

Os especialistas do setor elétrico que defendem a volta do horário de verão, no entanto, argumentam que, diante da gravidade da crise atual, qualquer economia de energia, mesmo que menor do que a histórica, é bem-vinda.

"Há dois anos, o equilíbrio entre oferta e demanda de energia estava tranquilo, então uma economia de 2% a 3% do consumo não era tão imprescindível", disse o professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Gesel (Grupo de Estudos do Setor Elétrico), Nivalde de Castro, à BBC News Brasil, em julho deste ano.

"Mas, atualmente, estamos enfrentando problemas para atender a demanda de energia elétrica justamente na hora em que escurece", afirma o especialista. "Diante da crise hidrológica deste ano, o horário de verão faz todo sentido, porque ele evita um consumo a mais, do que numa situação em que não haja horário de verão."

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O maior aproveitamento da luz natural é justamente o objetivo do horário de verão

Mais vendas no varejo e nos bares

Uma segunda vantagem do horário de verão é o estímulo às vendas do comércio e dos bares, resultado da hora a mais de luminosidade.

"O nosso setor, mesmo de portas abertas, tem 77% das empresas ainda operando com prejuízo. Então, na nossa visão, qualquer real que entre a mais vai ser muito importante, e o horário de verão sempre trouxe esse faturamento adicional na primeira hora da noite", disse Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

"A gente chega às vezes até a dobrar o que se fatura entre às 18h e às 20h com horário de verão. E isso também vale para o pessoal do turismo, como parques, porque estica o dia."

A Abrasel puxou, ao lado da CNTur (Confederação Nacional de Turismo), um movimento iniciado em junho pela volta do horário de verão. Em setembro, o varejo também aderiu, com o apoio de entidades como CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), Unecs (União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços), Abras (Associação Brasileira de Supermercados) e Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

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Segurança nas ruas

Um terceiro argumento em favor do horário de verão é a segurança.

"A evidência empírica sugere que uma hora a mais de luminosidade reduz homicídios, roubos e acidentes de trânsito", disse Claudio Frischtak, sócio da consultoria Inter.B e especialista em infraestrutura, que publicou em 2019 um artigo sobre o tema em coautoria com os pesquisadores Miguel Foguel e Renata Canini.

Estudo de 2016, realizado por pesquisadores da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), por exemplo, analisou dados de ocorrência de acidentes rodoviários entre 2007 e 2013. Segundo o estudo, nos Estados em que o horário de verão era adotado, houve redução de 10% dos acidentes em rodovias federais.

"Os testes revelaram que a realocação do horário de atuação da luminosidade durante o dia contribui consideravelmente na redução de acidentes em rodovias federais", concluíram os pesquisadores. "Os testes apresentaram evidências de que o impacto de transição para o horário de verão afeta o comportamento de direção dos motoristas em rodovias federais, principalmente ao entardecer."

Exercícios físicos e uso do espaço público

Por fim, um último argumento daqueles que defendem o horário de verão é a possiblidade fazer exercícios físicos ao fim da tarde e melhor aproveitar o espaço público.

O argumento foi usado até por Luciano Hang, dono das lojas Havan e bolsonarista de primeira hora. "Com o dia mais longo, as pessoas vivem melhor, vão às praias, praticam exercícios e têm mais qualidade de vida", disse Hang, que aderiu ao movimento de empresários pela volta do horário de verão.

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Quem defende o horário de verão diz que ele permite aproveitar mais os espaços públicos

DESVANTAGENS

Dificuldade de adaptação

O principal argumento dos contrários à volta do horário de verão é que a adaptação é difícil e a mudança mexe com o relógio biológico.

Um estudo de pesquisadores brasileiros publicado em 2017 na revista Annals of Human Biology, com mais de 12 mil participantes, mostrou que menos da metade (45,43%) diziam não sentir nenhum desconforto com a mudança de horário. E cerca de 25% diziam permanecer desconfortáveis durante todo o período de mudança de horário.

A dificuldade de adaptação tem razões biológicas: a alteração do horário mexe com a produção de hormônios como a melatonina e o cortisol, responsáveis respectivamente por dar sono e despertar o corpo.

A mudança também é mais penosa para adolescentes, que têm dificuldade de acordar cedo para aulas matinais, e para crianças pequenas, que têm necessidade de longas horas de sono e costumam ser sensíveis a mudanças de luminosidade.

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Mudanças no ciclo agropecuário

Uma segunda desvantagem do horário de verão, segundo os contrários à medida, é que ele afeta o setor agropecuário.

O gado bovino, por exemplo, é sensível à mudança de horário das fazendas, que pode inclusive afetar a produtividade leiteira.

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Críticos da medida dizem que ela prejudica o setor agropecuário

"Os bovinos são animais de hábito, todos os dias eles se alimentam num mesmo horário, são animais de rotina. Se os horários mudam repentinamente, isso causa um estresse no animal. No caso da vaca de lactação, pode inclusive diminuir o leite", diz José Carlos Ribeiro, da Boi Saúde, consultoria especializada em saúde bovina.

Mas há quem trabalhe no campo e não se importe com a mudança.

"As empresas trocam o horário, em vez de pegar às 7h, pega às 8h para a colheita da soja, então não prejudica em nada, eu acho que é bom", diz Antônio Rodrigues da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Assalariados Rurais de Sapezal (MT).

Horários diferentes Brasil afora

Uma terceira desvantagem é a maior dissincronia entre os horários Brasil afora.

O Brasil é um país tão grande que tem quatro fusos horários: o de Brasília, que abrange a totalidade das regiões Nordeste, Sudeste e Sul, além dos estados do Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e o Distrito Federal; o de Fernando de Noronha (uma hora à frente de Brasília); o do Amazonas, Roraima, Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (uma hora atrás de Brasília); e o do Acre e oeste do Amazonas (duas horas atrás de Brasília).

No horário de verão, Norte e Nordeste não adotam a mudança, que não faz diferença nessas regiões devido à proximidade delas com o Equador.

Assim, no horário especial, Roraima, Rondônia e Amazonas passam a ter duas horas de diferença em relação a Brasília e o Acre, três horas.

Isso dificulta, por exemplo, a realização de eventos nacionais, a tal ponto que, em 2018, o horário de verão foi mais curto, devido às eleições. A pedido do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, o horário de verão naquele ano começou somente em novembro, para evitar atrasos na apuração dos votos e na divulgação dos resultados.

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