Como comparar fumantes e não fumantes

Você escolhe a área de não fumantes. Mesmo assim, respira vez ou outra a fumaça de cigarro enquanto come e bebe. Quando sai do restaurante, percebe que a roupa, a pele e o cabelo estão levemente (ou, dependendo do caso, absurdamente) "defumados". Essa é uma situação comum para quem costuma jantar fora. A divisão entre fumantes e não-fumantes na maioria dos lugares é inócua. Levantamento feito pela Folha em dez estabelecimentos da capital paulista mostra que, em geral, a poluição é elevada nos dois setores e a concentração de poluente não é muito mais baixa onde não se fuma. A medição foi realizada com um equipamento portátil do LPAE (Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental), da Faculdade de Medicina da USP. O aparelho mede material particulado fino -mistura de fumaça e poeira. Em exposições de curta duração ao poluente, caso da visita a um restaurante, os efeitos podem ser cansaço, tosse seca, irritação nos olhos e nariz. O restaurante Ritz, em Cerqueira César (zona oeste), teve pico de 170 microgramas por m3 de material particulado fino na área dos que gostam de cigarro -várias pessoas fumavam no local, que é pequeno. Na área de não-fumantes, o valor chegou a 89. No bar mexicano El Kabong, em Pinheiros, a diferença foi de 79 (fumantes) para 48 (não-fumantes). Em restaurantes como Almanara, América e Spot, a diferença na concentração de poluição foi mínima ao comparar as áreas de fumante e não-fumante -em microgramas por m3 de material particulado fino, 70x65; 78x70 e 80x76, respectivamente. A média recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é 10 microgramas por m3, e a que temos na capital hoje é 30. Tanto no Ritz quanto no El Kabong, os não-fumantes ficam no piso superior. "Nesse caso, a fumaça do andar inferior sobe e atinge os não-fumantes", diz Paulo Afonso de André, engenheiro do LPAE. Por mais estranho que possa parecer, no Mestiço, o setor de não-fumantes -principalmente o fundo do salão- estava mais poluído. Isso ocorre porque a área tem menor circulação e renovação de ar. Para o médico Paulo Saldiva, do LPAE, "como o ar não tem fronteiras", é esperado que não haja grande diferença na concentração da poluição nos dois setores dos estabelecimentos. Luizemir Lago, coordenadora estadual do programa de controle de tabagismo da Secretaria da Saúde, concorda. "Não funciona permitir que num lado do salão se fume e no outro não. A fumaça não fica restrita a um lugar." Essa situação é exatamente a que se vê no restaurante Spot. Nas mesas localizadas no lado direito de quem entra no estabelecimento não se pode fumar. Já no lado direito, ocorre o oposto.

Pneumologista defende "fumo zero" em restaurantes

Professor da Unifesp afirma que não é possível diferenciar efeitos nocivos na saúde entre fumantes passivos e ativos. Para Clystenes Soares Silva, professor de pneumologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), só há uma solução para acabar com o incômodo e os danos à saúde aos não-fumantes: banir o cigarro dos locais públicos fechados, como em países da Europa. No Brasil, existe uma lei federal que proíbe o fumo "em recinto coletivo, privado ou público", mas é rotineiramente desrespeitada. A lei 9.294/96 só permite o tabaco "em área destinada exclusivamente a esse fim, devidamente isolada e com arejamento conveniente". Silva, que defende o "fumo zero" em bares e restaurantes, ressalta que "fumante é fumante, seja passivo ou ativo". Isso significa que o fumante ativo pode sofrer as conseqüências do vício de forma mais intensa, mas o fumante passivo não está ileso. "É patético estar num local de não-fumantes e, na mesa ao lado, haver fumantes. É algo ilusório", diz. De acordo com ele, o Brasil possui entre 22% e 23% de fumantes. "A maioria não fuma. Não pode uma minoria atrapalhar tantas pessoas", afirma. Oliver Nascimento, pneumologista da Unifesp, reforça que o tabagismo passivo traz inúmeras conseqüências negativas para a saúde. "As pessoas têm mais chance de ter tosse. Quem sofre de asma ou bronquite pode ter crise, ficar com dor no peito, chiado e falta de ar. Já quem possui rinite alérgica pode ficar com o nariz obstruído ou coriza", afirma. Podem ainda ter câncer de pulmão ou infarto agudo do miocárdio.

Livre de tabaco

Clientes divergem sobre a questão de livrar os restaurantes do tabaco. A exportadora Vera Medeiros não suporta fumaça de cigarro e, muitas vezes, sente incômodo nesses estabelecimentos. "Evito ir a lugares onde se fuma muito. Mas abro exceções, pelos amigos." Ela reclama que a roupa fica cheirando fumaça e os olhos ficam secos. A também exportadora Simone Fernandes, fumante, acha que deve haver espaço igual para os dois grupos. "Se um local que freqüento virasse um ambiente livre de tabaco, deixaria de ir. O fumante não pode ser discriminado."

Irlanda proíbe cigarro em local público desde março de 2004

A Irlanda, famosa por seus "pubs" esfumaçados, foi o primeiro país da Europa a vetar totalmente o tabaco em locais públicos, em 29 de março de 2004. Em julho deste ano, entrou em vigor na Inglaterra a proibição de fumar em lugares públicos fechados, como bares e restaurantes, e também nos ambientes de trabalho. A Escócia, o País de Gales e a Irlanda do Norte já vinham aplicando uma lei semelhante. A proibição na Inglaterra teve por objetivo reduzir as mortes pelo fumo passivo, que, segundo médicos britânicos, passam de 600 por ano. Quem infringir a lei receberá uma multa de até 50 (cerca de R$ 183,11), mas o valor pode chegar a 200 (cerca de R$ 732,45) se o infrator for condenado por um tribunal. A idéia da Irlanda também foi copiada, em maior ou menor medida, por Noruega, Espanha, Itália, Malta, Suécia, Escócia, Gales, Letônia e Lituânia. A lei espanhola que restringe o fumo, entretanto, é ignorada por muitos locais. Neste ano, a França colocou em prática a primeira etapa para o veto total do fumo em locais públicos. Cafés, restaurantes, cassinos e discotecas terão até janeiro para se adequar. Aqueles que acenderem cigarros em locais como hospitais, escolas, escritórios, estações de trem e aeroportos poderão ser multados -68 (cerca de R$ 173,26). O valor da multa para estabelecimentos onde alguém esteja fumando é de 135 (cerca de R$ 343,98). Na França, o cigarro é a principal causa da chamada mortalidade evitável -66 mil fumantes morrem ao ano no país, além de 5.000 fumantes passivos, segundo o governo. Em março, os 16 Estados da Federação Alemã aprovaram a proibição do fumo em restaurantes, exceto aqueles que dispuserem de uma sala separada e fechada para fumantes.

60 empresas aguardam selo de secretaria

Lançado há pouco mais de dois meses, o selo Ambiente Livre do Tabaco, concedido pela Secretaria de Estado da Saúde, tem, até agora, 60 empresas para recebê-lo. Em novembro, a Philips deve ter o selo. O gerente médico do departamento de Saúde e Qualidade de Vida da Philips, Walter Sanches Aranda, 49, diz que receber o selo é uma grande motivação no trabalho contra o tabagismo. A empresa não tem dados, mas Aranda acha que a qualidade de vida melhorou. "Isso reduz crises de rinite e casos respiratórios", disse. Fonte: Folha de São Paulo

Como comparar fumantes e não fumantes

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Última modificação: 13/05/2022 | 15h38

A prevalência de tabagismo é o resultado da iniciação (novos usuários de tabaco) e da interrupção do consumo (por cessação do tabagismo ou morte). A identificação dos fatores determinantes da iniciação e da cessação do tabagismo é, portanto, fundamental para o planejamento de ações específicas para o controle do tabaco.

Estratégias para vigilância e monitoramento do consumo de produtos de tabaco são ações relevantes para o controle do tabaco, previstas pelo artigo 20 (Pesquisa, Vigilância e Intercâmbio de Informação) da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para o Controle do Tabaco. Isso inclui a coleta regular de dados sobre a magnitude, padrões, determinantes e consequências do consumo de produtos de tabaco e da exposição passiva aos resíduos resultantes de seu consumo. 

O Brasil dispõe de um robusto sistema de pesquisa e vigilância que possibilita a produção de estimativas nacionais e regionais sobre o uso do tabaco, exposição ambiental à sua fumaça, cessação, exposição à propaganda pró e antitabaco, conhecimentos e atitudes, preço médio e gasto médio mensal com cigarros industrializados, dentre outras informações.

Os dados gerados e as informações produzidas permitem avaliar o impacto do controle do tabagismo e das iniciativas de prevenção ao uso do tabaco, o que possibilita orientar articulações em prol da implementação de políticas intersetoriais da Política Nacional de Controle do Tabaco por meio de ações legislativas, econômicas, bem como de ações educativas.

Desde 1997 o INCA é Centro Colaborador da OMS para o Controle do Tabaco e realiza estudos populacionais cujos resultados contribuem para monitorar as tendências do consumo de produtos de tabaco no Brasil assim como conhecimento, crenças e atitudes da população frente às diferentes medidas da Política Nacional de Controle do Tabaco.

A partir de 2003 o Ministério da Saúde, por meio de sua Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), passou a estruturar um Sistema Nacional de Vigilância específico para as doenças não transmissíveis e seus fatores de risco, dentre eles o tabagismo. No mesmo ano o INCA, em parceria com a SVS, desenvolveu o Inquérito Domiciliar Sobre Comportamentos de Risco e Morbidade Referida de Doenças e Agravos Não Transmissíveis em 15 Capitais Brasileiras e Distrito Federal, e em 2008 participou ativamente da Pesquisa Especial sobre Tabagismo (PETab), coordenada pelo Ministério da Saúde e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – quando o Brasil aderiu ao Global Adult Tobacco Survey (GATS) proposto pela OMS e Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Questões centrais do GATS passaram a compor definitivamente o corpo de questões da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) a partir de 2013. Essa iniciativa rendeu ao Brasil em 2014 a premiação “Prêmio Bloomberg para o Controle Global do Tabaco" da Bloomberg Philanthropies. A premiação é um reconhecimento ao papel desempenhado pelo Ministério da Saúde e pelo IBGE, no monitoramento epidemiológico do uso do tabaco e na implantação de políticas públicas para enfrentar o desafio da luta contra o tabagismo.

 
CONTEXTUALIZAÇÃO

Visando à vigilância e ao monitoramento do consumo de produtos de tabaco, a Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e Canadian Public Health Association (CPHA) desenvolveram, em 1999, o Global Tobacco Surveillance System (GTSS).

O GTSS vem sendo adotado na maioria dos Estados Membros da OMS há mais de 15 anos, utilizando protocolos padronizados. As pesquisas que hoje compõem o GTSS são:

  • Global Youth Tobacco Survey (GYTS) (início em 1999);
  • Global School Personnel Survey (GSPS) (início em 2000);
  • Global Health Professional Students Survey (GHPSS) (início em 2005);
  • Global Adult Tobacco Survey (GATS) (início em 2007).

O GTSS foi iniciado no Brasil em 2002. A inserção do País nesse sistema de vigilância teve dois objetivos:

  1. Subsidiar as políticas nacionais referentes ao tema;
  2. Integrar-se ao projeto GTSS visando à comparabilidade internacional dos resultados.

Como comparar fumantes e não fumantes

  • Global Youth Tobacco Survey (GYTS)
  • Vigilância de Tabagismo em Escolares (Vigescola)

Iniciado em 2002, o Vigescola foi realizado como fruto de uma parceria entre Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Organização Mundial da Saúde, Centers for Disease Control and Prevention, Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, secretarias estaduais e municipais de saúde e de educação, organizações não governamentais e comunidades. Seu público-alvo concentrou-se na população de estudantes na faixa etária de 13 a 15 anos em escolas públicas e privadas de capitais brasileiras.

  • Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)

Com início em 2009 e fruto de uma parceria entre o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Saúde, com o apoio do Ministério da Educação, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) envolve alunos do 9º ano (antiga 8ª série) do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais brasileiras e Distrito Federal. O objetivo do estudo é prover informações sobre a saúde dos adolescentes dando sustentabilidade ao Sistema Nacional de Monitoramento da Saúde do Escolar e apoiando as políticas públicas de proteção a saúde dos adolescentes. Para fins de comparação com os indicadores da pesquisa GSHS, na edição de 2015 o estudo incluiu um novo plano amostral, o de escolares de 13 a 17 anos. Já na edição de 2019 a amostra de escolares incluiu grupos de idade se 13 a 15 e de 16 a 17 anos de idade, envolvendo alunos do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio das redes pública e privada.

A PeNSE possui previsão de periodicidade trienal, e o relatório referente a sua edição de 2019 está disponível em:

https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101852.pdf

  • Global Health Professional Students Survey (GHPSS)
  • Perfil do tabagismo entre estudantes universitários no Brasil, PETuni

Aplicada no Brasil em 2006/2007 e coordenada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, a PETuni teve como alvo estudantes do 3º ano da graduação de ensino público e particular de Medicina, Odontologia, Enfermagem e Farmácia, nas cidades de Campo Grande, Florianópolis, João Pessoa e Rio de Janeiro visando atingir futuros formadores de opinião na sociedade, em especial na assistência ao paciente.

  • Global Adult Tobacco Survey (GATS)
  • Pesquisa Especial sobre Tabagismo (PETab)

Em 2008, a PETab foi inserida como subamostra no Suplemento Quinquenal de Saúde da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) conduzida pelo IBGE construindo, de forma robusta, a oportunidade de iniciar amplo sistema de vigilância do tabagismo no país, abrangendo a população geral de residentes no Brasil com 15 anos e mais de idade.  Foi a primeira pesquisa com representatividade nacional, incluindo áreas urbanas e rurais, a abordar os aspectos mais relevantes associados ao controle do tabaco.

  • Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)

A partir de 2013 questões centrais do GATS passaram a compor o corpo da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) o que rendeu ao Brasil, em 2014, o “Prêmio Bloomberg para o Controle Global do Tabaco" da Bloomberg Philanthropies. Trata-se de um reconhecimento ao papel desempenhado pelo Ministério da Saúde e pelo IBGE no monitoramento epidemiológico do uso do tabaco e na implantação de políticas públicas para enfrentar o desafio da luta contra o tabagismo.

A pesquisa faz parte do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares (SIPD) do IBGE, devendo ter uma periodicidade quinquenal. Constitui um inquérito de base domiciliar de âmbito nacional e apresenta enfoque em doenças crônicas não transmissíveis, estilos de vida e acesso ao atendimento médico. É representativa para o Brasil, áreas urbanas e rurais, Grandes Regiões, Unidades Federativas e Capitais. Os dados mais recentes da PNS 2019 já estão disponíveis para consulta em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html?=&t=o-que-e

OUTROS ESTUDOS NACIONAIS

  • Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel)

Desde 2006 o Brasil dispõe de um sistema de monitoramento anual por telefone, o Vigitel, que investiga fatores de risco e proteção para doenças crônicas e morbidade referida. Este inquérito é realizado nas 26 capitais brasileiras e Distrito Federal com adultos maiores de 18 anos e que residam em local com linha de telefone fixo. Apesar de restrito às capitais e aos proprietários de linhas telefônicas, permite o acompanhamento anual da prevalência do consumo dos produtos de tabaco.

  • Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil

​Estudo promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) em parceria com o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), da UNIFESP. Em 2010 foi realizado o sexto levantamento. Trata-se de um estudo epidemiológico de corte transversal, que representa o universo de estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental e 1º ao 3º ano do ensino médio, de escolas públicas e privadas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Em 2020 a Secretaria-Executiva da CONICQ foi convidada pela Diretoria de Políticas Públicas e Articulação Institucional da SENAD para contribuir na elaboração do Plano Nacional de Políticas sobre Drogas 2021-2025 (PLANAD), no capítulo relacionado a tabaco. A construção desse plano foi demandada pela Presidência da República e deverá ser publicada como decreto presidencial.

  • Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD/ 2012[1])    

O II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD/2012) foi conduzido pelo INPAD (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Foram realizadas entrevistas a domicílio em 149 municípios de todo território nacional, com 4607 indivíduos de 14 anos de idade ou mais, constituindo amostragem probabilística representativa de toda a população brasileira.

  • III Levantamento Nacional sobre o Uso de Drogas pela População Brasileira (III LNUD) (2015)[2]

Teve como propósito estimar e avaliar os parâmetros epidemiológicos do uso de drogas, incluindo o tabaco, na população de todo território nacional - inclusive população rural – entre 12 e 65 anos, de ambos os sexos, por meio da aplicação de instrumentos de coleta em uma amostra representativa da população, tendo como base os critérios metodológicos adotados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Projeto Internacional de Avaliação de Políticas de Controle do Tabaco (Projeto ITC)[3] constitui um estudo de coorte prospectivo multinacional (realizado em mais de 20 países), projetado para medir o impacto psicossocial e comportamental das principais medidas da CQCT. A pesquisa brasileira, Projeto ITC-Brasil, foi criada em 2009, sendo coordenada internacionalmente pela Universidade de Waterloo e, nacionalmente, pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva e pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, além de contar com importantes parcerias governamentais e não governamentais: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Aliança de Controle do Tabagismo (ACTbr+) e Fundação do Câncer.

Entre 2009 e 2016-17 foram realizadas três ondas de pesquisa com uma coorte de 1.200 fumantes adultos e 600 não fumantes no Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

TABAGISMO ENTRE ADULTOS

Tabagismo na população acima de 18 anos no Brasil entre 1989 e 2019

O percentual de adultos fumantes no Brasil vem apresentando uma expressiva queda nas últimas décadas em função das inúmeras ações desenvolvidas pela Política Nacional de Controle do Tabaco. Em 1989, 34,8% da população acima de 18 anos era fumante, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN). Uma queda expressiva nesses números foi observada no ano de 2003, quando na Pesquisa Mundial de Saúde (PMS) o percentual observado foi de 22,4 %. No ano de 2008 segundo a Pesquisa Especial sobre Tabagismo (PETab)  este percentual era de 18,5 %.

Os dados mais recentes do ano de 2019, a partir da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) apontam o percentual total de adultos fumantes em 12,6 %.

Como comparar fumantes e não fumantes

Considerando o período de 1989 a 2010, a queda do percentual de fumantes no Brasil foi de 46%, como consequência das Políticas de Controle do Tabagismo implementadas, estimando-se que um total de cerca de 420.000 mortes foram evitadas neste período (PLOS Medicine, 2012). O quadro comparativo abaixo (PLOS Medicine, 2012) correlaciona a queda de prevalência de fumantes homens e mulheres (18 anos ou mais) com as ações de controle do tabaco.

Queda da prevalência de fumantes adultos e as Ações de Controle do Tabagismo

Como comparar fumantes e não fumantes

Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/2019)

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) faz parte do Sistema Integrado de Pesquisas Domiciliares (SIPD) do IBGE, sendo realizada em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Constitui um inquérito de base domiciliar de âmbito nacional e apresenta enfoque em doenças crônicas não transmissíveis, estilos de vida e acesso ao atendimento médico. É representativa para o Brasil, áreas urbanas e rurais, Grandes Regiões, Unidades Federativas e Capitais.

Podem-se verificar dados sobre a prevalência de adultos fumantes com 18 anos ou mais em amostras domiciliares do Brasil.

Como comparar fumantes e não fumantes

Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel)

Além dos inquéritos domiciliares apresentados acima, o percentual de fumantes no Brasil é também acessado, desde 2006, por meio de monitoramento anual por telefone – pesquisa Vigitel.  Este inquérito é realizado nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal com adultos maiores de 18 anos que residam em local com linha de telefone fixo.

Segundo dados do Vigitel 2021, o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais no Brasil é de 9,1%, sendo 11,8% entre homens e 6,7% entre mulheres.

A série temporal do Vigitel realizada de 2006 a 2021, que pode ser visualizada no gráfico seguinte, mostra a queda de prevalência de tabagismo em adultos em números totais e por sexo.

Fumantes - Variação Temporal - Vigitel (2006 a 2021)

Como comparar fumantes e não fumantes

Fonte: Vigitel Brasil 2006 a 2021: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico.

Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras (Lenad, 2009)

O I Levantamento sobre Drogas entre universitários de instituições de ensino superior (IES) públicas e privadas das 27 capitais brasileiras foi realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp) no ano de 2009.

Os resultados apontaram que estudantes universitários do sexo masculino iniciaram (experimentaram pela primeira vez) o uso de tabaco aos 15,9 anos de idade e os do sexo feminino, aos 16 anos, perfazendo  média de 16 anos. A prevalência de uso de tabaco nos últimos 30 dias entre os universitários foi de 21,6%, sendo maior entre os homens (23,5%) do que entre as mulheres (20,1%). A frequência de universitários que usaram tabaco nos últimos 30 dias em IES privadas (23,7%) é maior do que públicas (13,2%). O percentual de universitários usuários de tabaco variou no território brasileiro de 13,3% no Nordeste a 25,8% do Sul.

TABAGISMO ENTRE JOVENS

As pesquisas realizadas no Brasil por diferentes instituições de referência no assunto na última década indicam que o uso de tabaco ocupa o segundo lugar no ranking de drogas mais experimentadas no país. A idade média de experimentação de tabaco entre os jovens brasileiros é de 16 anos de idade, tanto para meninos quanto para meninas. Nacionalmente, a frequência de fumantes jovens do sexo masculino tende ser maior do que do sexo feminino. Os estudos indicam que a experimentação de tabaco é maior entre estudantes da rede pública de ensino e, geralmente, as frequências de uso de tabaco nos últimos 30 dias também são maiores em instituições de ensino públicas. Quando comparados às pesquisas anteriores, os resultados indicam melhora nos indicadores de experimentação, percentual de usuários de tabaco nos últimos 30 dias, incluindo aumento da idade média da experimentação. 

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2019)

A PeNSE, realizada pelo IBGE e o Ministério da Saúde, com o apoio do Ministério da Educação, foi desenhada para investigar os fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes escolares do 9º ano do ensino fundamental, bem como informações básicas das escolas fornecidas pelos diretores das unidades.  Na edição de 2015 o estudo inovou, incluindo um novo plano amostral, a de escolares de 13 a 17 anos, para fins de comparação com os indicadores da pesquisa Global School-based Student Health Survey (GSHS), desenvolvida pela OMS.

Na edição de 2019 da PeNSE, a abrangência da amostra dos escolares passou a ter representatividade por grupos de idade de 13 a 15 e de 16 a 17 anos de idade, onde foram entrevistados estudantes do 7º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio das redes pública e privada possibilitando sua desagregação por Grandes Regiões, Unidades da Federação e Municípios das Capitais. Em 2019 a PeNSE contou com um estudo mais aprofundado de atualização e adequação do questionário para atender não só às necessidades de incorporação de novos indicadores, expressa pelo Ministério da Saúde e demais pesquisadores usuários de informação, como também para permitir maior compreensão e facilidade em responder, melhorando a qualidade dos dados da pesquisa.

Segundo a PeNSE, em 2019 a proporção total de fumantes entre alunos de 13 a 17 anos foi de 6,8%, sendo maior entre os meninos (7,1%) em relação às meninas (6,5%). Quando se comparam os achados com os dados da PeNSE 2015, pode-se observar um discreto aumento na proporção total de fumantes na faixa etária dos 13 a 17 anos (6,6% em 2015 para 6,8% em 2019) devido ao aumento na proporção de fumantes entre as meninas (6,0% em 2015 para 6,5% em 2019), tendo a prevalência de fumantes entre os meninos se mantido estável no mesmo período (7,1% em 2015 e 2019).

Como comparar fumantes e não fumantes

Considerando os escolares de 13 a 15 anos, o percentual que experimentou cigarro alguma vez na vida reduziu entre os meninos (19,20% em 2015 para 15,61% em 2019), o que não foi observado de forma pronunicada entre as meninas (18,90% em 2015 para 18,43% em 2020).

Como comparar fumantes e não fumantes

No que se refere à experimentação de cigarro eletrônico (e-cigarette), os maiores percentuais foram observados entre os escolares de 13 a 17 anos da rede privada de ensino em todas as Grandes Regiões do Brasil em 2019. Pode-se também observar que os maiores percentuais de experimentação de cigarro eletrônico ocorreram na Região Centro-Oeste (23,6% na rede pública e 24,3% na rede privada de ensino). Já os menores percentuais de experimentação ocorreram entre os escolares da rede pública das Regiões Nordeste (10,3%) e Norte (11,9%).

Como comparar fumantes e não fumantes

Vigilância de Tabagismo entre escolares das 17 capitais brasileiras (Vigescola)

O VIGESCOLA foi realizado em parceria entre o Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde, Organização Mundial de Saúde Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), INCA, secretarias estaduais e municipais de saúde e educação, organizações não governamentais e comunidades. A pesquisa monitora escolares entre 13 e 15 anos de idade em inquéritos repetidos.

Segundo o VIGESCOLA, realizado no período de 2002 a 2009, o percentual de adolescentes entre 13 e 15 anos que experimentaram cigarros variou, entre os meninos, de 15,4% em Palmitos (2007) a 48,1% em Fortaleza (2002) e, entre as meninas, de 15,2% em Palmitos (2007) a 52,6% em Porto Alegre (2002). Para algumas cidades, a experimentação foi maior entre as meninas do que entre os meninos, mas, em geral, não houve diferença estatisticamente significativa por sexo. Embora o padrão do consumo regular de cigarros seja similar ao observado para a experimentação, sua magnitude é consideravelmente menor. A proporção de adolescentes que fumavam correntemente – pelo menos um dia nos 30 dias anteriores à pesquisa – variou, entre os meninos, de 2,9% em Palmitos (2007) a 17,7% em Fortaleza (2002) e, entre as meninas, de 4,3% no Vale do Itajaí (2007) a 21,6% em Porto Alegre (2002) (INCA, 2011).

Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad/2012)

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Unifesp realizou em 2012 o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. Esta pesquisa foi feita com indivíduos com 14 anos ou mais de todo território brasileiro. Quando comparados os levantamentos realizados em 2006 e 2012, a prevalência de fumantes entre os adolescentes com idade entre 14 e 17 anos reduziu, passando de 6,2% para 3,4%, sendo maior entre os meninos (5,2%) do que entre as meninas (1,6%). A distribuição do tabagismo entre os jovens variou de 2,5% no Sudeste a 11,9% no Centro Oeste. Esta pesquisa apontou que entre os adultos fumantes, a média de idade de experimentação do tabaco foi de 16,5 anos, sendo ligeiramente maior entre os entrevistados do sexo feminino (16,7) do que masculino (16,2).

Como comparar fumantes e não fumantes

Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio das Redes Pública e Privada de Ensino nas 27 Capitais Brasileiras (Cebrid, 2010)

Em 2010 foi feito o sexto levantamento pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), viabilizado pela parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). É um estudo epidemiológico, de corte transversal, que representa o universo de estudantes do 6º ao 9º ano do ensino fundamental II e 1º ao 3º ano do ensino médio, de escolas públicas e particulares das 27 capitais brasileiras e do Distrito Federal.

As drogas mais citadas pelos estudantes foram bebidas alcoólicas e tabaco, respectivamente 42,4% e 9,6% para uso no ano, fazendo deste último a segunda droga mais experimentada entre eles, seguido de solventes/inalantes (5,2%), maconha (3,7%), ansiolíticos (2,6%) entre outros. O uso do tabaco aumenta conforme a faixa etária e é mais frequente entre os estudantes do sexo masculino, tendo sido referido por 10,0% deles e por 9,1 % das meninas. Conforme análise do Cebrid, entre os anos de 2004 e 2010, foi observada uma redução no número de estudantes que relataram consumo de tabaco, tanto para os parâmetros de uso na vida quanto no ano.

Como comparar fumantes e não fumantes

TABAGISMO PASSIVO

O tabagismo passivo é a exposição à fumaça exalada pelos fumantes e por produtos de tabaco durante a sua queima. A exposição à fumaça ambiental do tabaco está correlacionada ao desenvolvimento de doenças e agravos à saúde, mesmo de quem não fuma.

Não há níveis seguros para essa exposição, incluindo a exposição às emissões advindas dos cigarros eletrônicos (dispositivos eletrônico conhecidos como e-cig, vaper), (NCI); (OMS, 2014). Por este motivo torna-se igualmente relevante a sua regulação, vigilância e monitoramento da exposição da população fumante e não fumante ao tabagismo passivo, tanto em ambientes públicos quanto em suas casas.

Os dados a seguir não incluem a exposição aos cigarros eletrônicos.

Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/2019)

A proporção de pessoas de 18 anos ou mais de idade não fumantes expostos ao tabagismo passivo foi de 7,9% em casa e 8,4% no trabalho em ambientes fechados. Entre os gêneros, a proporção é maior entre as mulheres em casa (8,1%) e os homens no trabalho (10,4%).